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ORIGEM GERAL E CLASSIFICAÇÃO DOS SOBRENOMES
"Há
grandes lapsos de memória.
Grandes paralelas perdidas,
E muita lenda e muita história.
E muitas vidas, muitas vidas." Fernando Pessoa
PARA SABER SOBRE O SIGNIFICADO DOS
SOBRENOMES
DO RAMO FAMILIAR CLIQUE.
A origem
de sobrenomes em um sentido mais moderno é algo de poucos séculos. Entretanto,
sempre houve alguma forma de identificação dos indivíduos ou dos grupos aos
quais pertenciam. Estudar os antropônimos, para a origem familiar, é similar
ao estudo dos fósseis para as origens da humanidade.
CONCEITO E OPINIÃO EM GENEALOGIA
O vocábulo GENEALOGIA, em seu sentido amplo, refere-se ao estudo das origens (gen,
geneo= engendrado por, que gera; logia= discurso, ciência). Pode-se tratar da
genealogia de uma idéia, de um mito, de uma palavra, entretanto o uso mais
corrente desse vocábulo refere-se ao estudo da ascendência de um indivíduo com
os possíveis dados biográficos, traçando a história familiar nos aspectos
genéticos e culturais.
Pode-se pesquisar também a descendência.
Muitas culturas de diversos modos cultuaram seus antepassados, os egípcios, por
exemplo, atribuíam à repetição dos nomes ancestrais, semelhante aos Mantras
indianos, a força de uma oração para lhes garantir proteção e a Vida Eterna.
A genealogia familiar pode necessitar de estudos auxiliares
como o da etnologia, a paleografia, a onomatologia, a heráldica e a vexilologia. A genealogia é parte integrante do estudo da história. Um
genealogista deve ser antes de tudo um amante e estudioso da história e ter a
percepção sistêmica dos diversos aspectos relacionados à
pesquisa, contextualizando suas informações.
A busca dos ancestrais pode ter vários propósitos:
curiosidade pessoal, respeito aos antepassados, dupla cidadania, herança,
direito aos títulos nobiliárquicos, auxiliar de pesquisa histórica e outros
tantos. Pode também, como outras ciências, ser conduzida profissionalmente e
auferir renda desse trabalho ou simplesmente ser uma pesquisa amadora sem
qualquer interesse comercial.
Ao divulgar as informações deve-se estar sempre documentado e declarar quando
forem indícios ainda sem comprovação. O registro dessa pesquisa pode ser denominado de
GENEOGRAFIA [Grafar, registrar as origens - Termo proposto]. Pertence à geneografia a elaboração
de GENEOGRAMAS [Apresentação por esquemas - Termo proposto], síntese das
relações de parentesco, numerados ou não, sendo a mais popular e mais conhecida a
Árvore Genealógica ou de Costados.
Sabendo-se que à medida que nos afastamos do presente rumo ao
passado aumenta-se a possibilidade de parentescos entre ancestrais de linhagens
distintas torna-se
extremamente desejável e útil a divulgação dos resultados, ainda que parcialmente, para que outros pesquisadores, tendo
acesso à pesquisa, avancem em suas próprias investigações.
O direito de autoria não pode ser aplicado aos nomes dos
ancestrais e sim, quando existir, aos métodos particulares de pesquisa e
ao modo de divulgação.
Esta pesquisa, ao tratar de uma saudável curiosidade e exclusiva busca
individual do estudo histórico da família, sem prescindir do respectivo método,
impregna-se de fortes relações pessoais e abre espaço para um pouco de "licença poética"
que poderá relaxar alguns aspectos do rigor profissional em prol de uma cultura
familiar própria sem jamais prescindir da precisão da informação quando
pertinente.
SOBRE AS ORIGENS DOS SOBRENOMES
Os nomes, incluindo-se uma espécie de proto-nomes de família, remontam às
necessidades humanas ancestrais de identificar indivíduos, funcionavam mais como
apelido. Normalmente foram atribuídos por suas características físicas ou pelos
desejos idealizados por seus ancestrais. Muitas razões são apontadas para o uso
de nomes e sobrenomes, das mais práticas como simplesmente chamar ou apelidar
alguém, contar histórias sobre um indivíduo ou até questões de identidade
cultural, proteção da descendência, heranças familiares como uma forma de
certificar-se sobre a origem desse indivíduo.
Os etruscos já empregavam uma fórmula de pré-nomes, nomes e cognomes muito
semelhante às atuais e depois influenciando os romanos espalhou-se pelos quatro
cantos do mundo. O pré-nome tinha o mesmo significado atual do nome (de batismo
p.ex.), o nome deu origem ao sobrenome ou nome de família e os cognomes eram uma
espécie de apelido identificador ou título daquele indivíduo.
Os nomes de família (sobrenomes, nomes de família, surnames, lastnames, cognomi,
apellidos, prénoms, familiennames, nachnames) surgiram da necessidade de
identificação das pessoas especialmente durante a Idade Média. Até então, a alta
nobreza, por razões de sucessão e heranças, utilizavam alguma forma de
identificação de filiação. Imitando os costumes de pessoas proeminentes ou para
diferenciação das famílias ou ainda para aspectos práticos de censos
populacionais, os homens mais comuns passaram a utilizar como
sobrenomes as designações de seus ofícios ou habilidades, de seus lugares de
origem (toponímicos), de suas condições sócio-econômicas, de plantas ou animais
ou, ainda, referentes aos nomes próprios devido à filiação, vassalagem,
exércitos, tribos ou clãs de origem (Homeonímicos).
No ocidente europeu foi a partir dos séculos XV e XVI que os nomes de
identificação tornam-se de fato sobrenomes de família e passam a ser
sistematicamente registrados, normalmente nas igrejas de batismo. Pesquisar a
árvore genealógica até essas épocas é uma possibilidade real ainda que
apresentem dificuldades para se encontrar documentação comprobatória. Para épocas anteriores as
dificuldades se multiplicam.
Em 1564 o Concilio di Trento ordenou que as paróquias registrassem cada
indivíduo com seu próprio nome e o respectivo sobrenome. Desde então cada um de
nossos ancestrais vem transmitindo o Nome de Família a seus descendentes, definindo
e registrando os graus de parentescos.
Nesse ponto me permito, solicitando licença aos lingüistas e genealogistas
profissionais, para destacar outro tópico de classificação: HOMEONÍMICOS.
Não encontrei um nome apropriado a esse tipo de classificação por isso estou
chamando-a de homeonímicos. Observando diversos estudos sobre o tema e sobre a
antroponímia e, simultaneamente, olhando a origem possível de alguns ancestrais
mais remotos e a história correspondente, percebe-se que as tribos, clãs, grupos e
núcleos humanos atribuem muitas vezes um nome de identidade desse grupo a um
indivíduo, independentemente do lugar (toponímico) onde se encontram ou do
nome do patriarca (patronímico). São possuidores de uma identidade própria cultural muitas vezes
associada às características físicas provenientes de filhos gerados em um
mesmo núcleo humano com pais aparentados. Neste caso os sobrenomes, (mesmo
que proto-nomes de família), são
por demais distantes da origem de uma única família, ainda que
aparentados, de um único patriarca ou ainda da classificação como
TOPONÍMICOS ou TOTÊMICOS. Por isso destaco essa classificação: HOMEONÍMIOS,
HOMEONÍMICOS (homeo=semelhante, mesmo, igual,
identidade).
CLASSIFICAÇÃO DOS SOBRENOMES:
A classificação de sobrenomes é uma disciplina
interdisciplinar com ênfase na lingüística. Permite perscrutar, com mais ou
menos certeza, sobre uma possível origem ancestral similar ao estudo dos
fósseis na antropologia e arqueologia.
As classificações são muitas. Resume-se aqui uma das
possibilidades:
-
PATRONÍMICOS: Refere-se a um nome
próprio, geralmente do patriarca (capostípite) da família (grupo, tribo
clã), em geral referenciado como o filho de... Pode designar um clã
familiar. (De Giovanni, Di Giacomo, Henriques, MacBeth, De Marco, Henriques,
Marchi, Perez - filho de Pero ou Pedro, Hissnauer - família Hiss, Gallucci);
-
MATRONÍMICOS: Semelhante ao anterior
porém referindo-se ao nome da mãe (Di Grazia);
-
HOMEONÍMICOS: Designa origem em
uma mesma tribo, clã, núcleo humano definido por uma identidade. Pode ser compreendido como uma
subclassificação de Toponímicos ou Patronímicos. Entretanto fornece maior
precisão pois esse grupo humano poderá ter vivido em diversas regiões e não
ter uma única liderança ou patriarca ainda que possam ter uma origem em um
lugar ou em uma liderança distanciam-se desse início e, mesmo assim mantém
um forte laço de identidade. Ex. Gallucci, Conu, Hissnauer - dos Hesseanos [Veja argumentos
em: Sobre a origem dos sobrenomes].
-
TOPONÍMICOS: HABITACIONAL ou ÉTNICOS: Do lugar ou povo de origem.
(Oliveira, Ferreira, Calabresi, Franco, Germano, Morano, Santiago, Ort, Conu,
Cartolano). Outro exemplo: entre os
germanos, Wittekind era o nome de quem nascesse no campo ou floresta, (Como
em William) e por abreviação kind transformou-se em
Guido, Gui, Guy, relacionado à Guilherme. Tem correspondente latino em Silva, Silvester.
-
CARACTERÍSTICAS FÍSICAS: Estatura,
cor de pele ou cabelo, sinais marcantes etc. (Rossi, Moreno, Bianchi,
Penteado, Morano);
-
QUALIDADE MORAL e COMPORTAMENTAL:
Normalmente compreende antigos sobrenomes ou alcunhas (Vero, Gentil,
Guerra, Henrique - primeiro entre os principais, Amodeo, Bento);
-
TEÓFOROS: Fórmula votiva ou
religiosa ( Laudadio, Dioguardi, Amodeo, Bárbara, Santiago, Bento). De muitas
maneiras surgiram os nomes vocativos às divindades, como forma de prestar
honra às mesmas, afirmar ou disfarçar a adoção de um credo. Outra
possibilidade é a adoção desses nomes em crianças órfãs ou abandonadas e
recolhidas por conventos e instituições similares, também era comum nesses
casos receberem nomes invocativos de santos do dia e dias da semana
(Francisco, Santiago).
-
TOTÊMICOS. Difere dos
Teóforos por estarem associados à uma identidade de núcleo humano, tribo ou
clã. Tem um sentido de proteção divina ao grupo e não a um indivíduo. Ex:
Conu.
-
MAESTRIA, OFÍCIO ou PROFISSÃO:
Referente diretamente à profissão ou aos seus instrumentos de trabalho.
(Machado, Wagner, Cartolano);
-
QUALIDADES METAFÓRICAS:
Referem-se às qualidades de qualquer natureza sem explicitá-las,
mencionando-as de modo metafórico (De Marco, Marchi, Marques - além do
significado patronímico, podem ser referentes em sua origem a um marco de
território, fronteiras ou ao deus da guerra, Marte)).
-
CRONOLOGIA: Indica a seqüência
de nascimento como Primus,
Primitius: o primeiro nascido; Tertius: o terceiro; Ottavo: oitavo.
-
HOMENAGEM: Rende uma
homenagem a alguém ou lugar ou a outros interesses, como os religiosos
(Santiago).
-
CIRCUNSTÂNCIAS:
Define o nascimento em alguma circunstância que merece algum destaque.
Exemplo: Entre os romanos Lucius que nasceu à luz do dia ou ao romper da
manhã; Dominicus ou Domingos por nascer em um domingo. Nascimento ou Natalia
podem ser pessoas nascidas no (ou próximas) do ano novo ou no dia do Natal;
ou ainda Januário e o italiano Gennaro: nascidos em janeiro.
-
ONOMÂNICOS: Para os
nomes atribuídos a alguém com a finalidade de transmitir determinada
qualidade.
-
HÍBRIDO: Inclui duas ou
mais possibilidades de classificação dos nomes familiares. Pode ser grafado Teo-Comportamental,
p.exemplo.
-
INOVADO ou INVENTADO ou ADOTADO:
Pode ser produzido por diversas razões como a falta de compreensão de nomes
anteriores, grafias equivocadas, apelidos recentes que tornam sobrenomes
incorporados, grafias equivocadas de lembrança de sobrenomes ancestrais que
não aparecem nos pais ou avós imediatos (Gobet - Gobete; Hissnauer -
Missnauer). Adoção de um nome sugerido como
nome composto que torna-se sobrenome nas gerações futuras, modismos e tantos
outros motivos. Com o passar do tempo poderão ser classificados em um dos
outros itens
acima. Uma pessoa recebeu o nome de "Vaspiano", em homenagem à empresa VASP,
pois nasceu em um avião. (O Estado do
Paraná, 19-6-1957), também poderia ser classificado como de Homenagem.
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